Lembro bem deste momento único daquela tarde da década de 80. Não sei o que fez minha mãe decidir costurar os ursos que estavam sujos, rasgados, sem olhos... Só lembro que ela sentou na nossa cama, pegou uns tecidos antigos e costurou meu urso todinho. E o da minha irmã também. Depois colocou botões para os novos olhos. Eu acho que fiquei feliz demais naquela tarde. Não sei o que aconteceu com os ursos. Mas é tão bom lembrar as coisas que só a mãe da gente para fazer por nós.
28.3.11
21.3.11
Triangulinha
Levamos as crianças para assistir a peça "Triangulinha", em cartaz no Teatro dos Quatro, Gávea, até 08 de maio. Tenho uma menina de 3 anos e meio e um meninão de quase 11 anos. Eu e meu marido adoramos (eu até me emocionei com a parte da história onde o pai, que é redondo, conversa e se entende com a filha, que é triangular). Minha filha adorou todo o colorido, as bolhas de sabão, a dança e as caras e bocas dos artistas - a personagem principal a levou para brincar com as bolhas de sabão e ela parecia encantada, encantada com a magia daquelas bolhas reluzentes descendo do teto escuro e caindo na palminha da mão dela. Pensei que ela fosse ficar com medo, mas que nada! Meu filho, entendeu o recado (a peça trata de bullying, preconceito). Foi uma delícia. Recomendo como mãe de uma menina pequenina e de um menino quase adolescente. Diversão para toda família.
23.2.11
Texto inaugural do "Boa leitura!"
Série: Pé com chinelo
Crônica: Naturalmente legalzinha demais
Texto de: Helena Luisa Leitão de Oliveira
Sou desse tipo: naturalmente legalzinha demais. Do nada, sou legal. E sempre. Vejo a estranheza no olhar das pessoas com quem falo simpática e euforicamente logo no primeiro contato. Dá vontade de calar a minha boca na hora, mas tenho horror a ser confundida com uma pessoa fria ou metida ou coisa do gênero. Não gosto, fazer o que? E isso não tem nada haver com agradar gregos e troianos. Muito pelo contrário: uma pessoa simpática (exageradamente ou não) sofre menos com o julgamento alheio. Eu acho. Basicamente os comentários começam com um "Nooossa! Como ela é simpática, não?" e costumam terminar com um "Parece doidinha, né?". As pessoas preferem "nem comentar". Prefiro não controlar minha ternura. Nem gosto de deixar o desânimo me contagiar - odeio não ter saco para certas coisas. Gostaria de estar disposta sempre. Disfarço bem algum mal-estar com uma boa-simpatia. Chamo menos a atenção sendo super simpática, mesmo parecendo a boba do circo. Encho menos o saco das pessoas. Parece-me que ninguém gosta de ouvir lamentos alheios (eu não gosto, mas pode contar comigo - acho que se a única solução é chorar no meu ombro, chore - eu entenderei sua necessidade e tentarei ajudar). No máximo, as pessoas percebem que estou cansada. Mas nem assim enterro a cabeça ou me finjo de morta. Nem avestruz, nem gambá. Pareço mais um meigo e desajeitado filhote de labrador agitadíssimo, querendo falar entusiasmadamente com todo mundo que me é apresentado.
Quando íntima, sou sarcástica. Sarcástica, tá? Não sacana. As pessoas sacam que não sou boba. É doido esse mundo. As pessoas aturam uma chata super simpática, mas uma esperta sarcástica assusta, agride. Parece que você deixa de ser "Bela, a feia, a boba, a chata, a insignificante" (não vi nenhum capítulo dessa novela) e se transforma em... em... em "uma mulher bonita e inteligente". Cada um tem a mulher bonita e inteligente que desejar: para mim, essa mulher é minha mãe. Poucos me entenderiam se conhecessem minha mãe - mas eu acho linda a cor da sua pele, os seus lábios finos, o seu nariz arrebitado, os seus olhos redondos, pequenos e negros, os seus cabelos negros, o seu sorriso tímido, a sua falta de maleabilidade (com o corpo, com o temperamento)... ela é divertida quando explode em palavrões para expressar um desconforto qualquer. É otimista como eu (quer dizer, eu sou otimista como ela). Quem não tem tempo de conhecê-la melhor, só acha que ela é desprovida de altura e, muitas vezes, de delicadeza.
Eu me satisfaço mesmo é estando sozinha. Não preciso atuar fazendo o papel de eu mesma artificialmente legalzinha demais. Eu disse atuar? Eu disse artificialmente? Não era isso o que eu queria dizer... Minha monstruosidade é natural mesmo. Eu disse monstruosidade?
- Noooooooossa! Como seu cabelo é bonito! Prazer!!! Meu nome é Francisca Mattolo.
Deu tudo certo!
Meu filhote desbravou sozinho algumas ruas nesse trânsito louco da Tijuca/RJ e deu tudo certo!!! Meu pequeno "quase dono de si" disse que deu "Bom dia!" para todos. O detalhe é que já passava das 16h... Imagina você andando na rua e, do nada, um garotinho forte, branquelinho e baixinho lhe deseja "Bom dia" no meio da tarde. Onde está a mãe desse menino?
22.2.11
É hoje
Estou aflita.
Meu filhote (10 anos e lá vai fumaça) voltará sozinho pela primeira vez do curso de inglês hoje. Sozinho, descalço (quer dizer, a pé) e com muitos obstáculos para enfrentar rua afora, rua adentro, é rua para todos os lados. Ele descerá ou subirá a rua Uruguai no sentido contrário ao dos carros. Partirá da Avenida Maracanã. Essa partida já é sinistrona. Fecha o sinal da Uruguai, abre o sinal da Maracanã e sempre, quando digo sempre, é sempre mesmo, enfim, sempre tem carros afoitos para arrancar para além do sinal na direção do destino final... sem contar os afoitos para aproveitar o sinal amarelo que eles enxergaram umas três quadras antes... Depois tem um monte de ruazinha transversal, de entrada ou saída, bem mais tranquilas que ele terá de observar antes de por o pezinho no asfalto... Eu espero que ele esteja pronto, pois eu não estou.
9.2.11
1.2.11
Eu e minha família de casa nova
Bem bem bem...
Estou em paz. Faltam apenas quatro caixas para finalizar a mudança oficialmente.
Após a visita de meus pais, minha irmã e meu cunhado, pude realmente me sentir em casa!
Ainda falta a visita de amigos e parentes para que eu pouse lentamente no meu ninho para reinar e triunfar loucamente na vida que me espera na Nossa Nova Casa!!!
Meu filho é só uma criança!
E eu às vezes não enxergo isso. Sei lá. Ou então, não estou nos momentos em que ele é só uma criança (trabalho fora, de segunda à sexta, das 07h às 19h).
Eu preciso me esforçar e resolver pequenos problemas da rotina da vida de uma criança sem achar que aquela será minha única chance de orientá-lo naquela questão.
Porque é assim que eu sinto: se eu não resolver isso com ele agora, isso virará uma bola de neve e eu perderei o controle da situação. Drama (?).
Quando não tem nada para resolver, ou eu estou cansada, ou ele está cansado.
Ou tem dever de casa.
Nesse último domingo tive uma oportunidade rara: vi meu filho brincar feito criança. Foi a coisa mais linda do mundo. Ele é uma criança linda. Uma criança boa, uma criança saudável. Uma criança que gosta de brincar. Ele não queria ir embora do lugar onde estávamos. Ele queria ficar para dormir lá, com as outras crianças. Insistiu. Feito criança faz. Eu não pude deixar, não foi para isso que fomos lá... Mas adorei vê-lo com necessidades infantis.
Foi muito bom voltar a ver meu filho com criança.
Ultimamente acho que ele é pré-adolescente e ponto final.
Não, não é isso.
Estou me adiantando.
A partir de agora, observo.
Só depois tomo atitude.
Rio de Janeiro - O perigo agora está em outro lugar
Eu posso sair para trabalhar hoje? Como?
De carro? E os incendiários?
De ônibus? E os incendiários?
De van? E a falta de fiscalização?
De metrô? E a super extra híper lotação?
De bicicleta? E a ciclovia que não corta a cidade?
De patins, patinete... jatinho? Fala sério.
A pé? Terei saúde para trabalhar após a longa caminhada?
Éééé burguesia carioca, burguesia fluminense, baixada, subúrbio... "E agora o bicho vai pegar!"
Tem gente torcendo o nariz, dizendo que Tropa de Elite 2 é muito violento, que viu o filme e quer sair do país... nhé-nhé-nhé... eu achei o filme tão "romântico"... ao menos é mais romântico que os telejornais! Eu achei o filme divertido... O Wagner Montes Fortunato é mais engraçado que o Wagner Montes Fortunato da vida real! O Nascimento é um mocinho inocente, sofredor, indignado (ele não existe na vida real). E as frases marcantes? Adorei! Como eu não falo palavrões oficiais, adoro desabafar com as novas e irônicas formas de expressão de baixo calão (Hipocrisia? Isso para mim é Liberdade de Expressão).
Como será que isso terminará?
O fim (disso) está próximo?
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